CAUSUS CONTADO POR MEU PAI, À MESA, ANTES DO JANTAR. (MAS ELE ÉRA MUITO MENTIROSO E NÃO SEI COMO INVENTAVA TANTAS HISTÓRIAS). SE, VERDADEIRAS OU NÃO, TINHAMOS PRAZER DE OUVI-LAS.
SOLANO BRUM
Contou-nos que, certa vez, ele e os seus vaqueiros, desviando da Estrada movimentada por carretas que traziam enormes toras de madeiras, de Vitória – E S, para uma Serraria, na Cidade de Aimorés – MG, - ao adentraram por uma porteira, viram um Senhor, já ultrapassando a década dos noventa, batendo firme com seu machado em um tronco seco, deitado, cujo corte já ultrapassava metade de seu diâmetro, tendo a derredor, muitos gravetos como prova de sua empreitada.
Era uma manhã cinzenta e o frio castigava principalmente a mão que segurava a rédea do cavalo, bem como as canelas, cujas botas eram desprovidas de caneleiras.
Disse que, o mesmo parou de movimentar os músculos frágeis, tão resistentes quanto insistentes, para ver os vaqueiros abrirem a porteira que dava acesso ao pátio;
Que, um dos vaqueiros, vendo o machado apoiado no tronco e o Senhor, parado, entusiasmado com a chegada de todos nós, se apiedou dele, isso porque antes o vira tentando lascar o tronco ao meio; e que, enquanto ele conversava comigo, em poucos minutos, completou o trabalho daquele Senhor.
O sol banhou de repente o lugar e ele olhou para o tronco dividido e se entristeceu; que, a seguir, entrou no casarão e não mais voltou.
Porque ele entrou? – perguntei tentando entender o acontecido.
- Bem... É que o vaqueiro, em poucos segundos, cortou o tronco e esse era o único trabalho de Papai ao amanhecer, para depois de algumas machadadas, se servir da refeição e ficar sentado, espiando o obstáculo o dia inteiro, provavelmente pensando em dar continuidade ao serviço no outro dia... E agora...
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